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Weimar: o músico ilustrado
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21.03.09 21:21

Eisenach, 21. März 1685 nascia o Mestre da Música, Johann Sebastian Bach

 

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Weimar: o músico ilustrado

Para um músico de 23 anos, o posto em Weimar – organista e músico de corte – representava um ponto climático em sua breve carreira. Em termos populacionais, a cidade não era grande, mas o ducado era uma entidade poderosa e culturalmente relevante. Seus soberanos – era uma monarquia dual – mantinham uma longa tradição de mecenato e, naquele início de século XVIII, eram homens de cultura e autêntico interesse em música. Os músicos da corte também eram de alto nível, dos instrumentistas à direção musical, comandada pelos Drese, pai e filho.

 

João Sebastião tinha, portanto, amplas oportunidades para o diálogo com colegas de alto nível, para o conhecimento da música contemporânea e para a criação musical. Era responsável pela música para órgão e data desse período a maioria de suas composições para o instrumento. Tinha também a atribuição eventual de compor música vocal, mas, sem compromisso com o calendário litúrgico, suas cantatas de Weimar são pensadas para ocasiões gerais, exibindo considerável variação temática. É o caso típico da BWV 54, “Resisti ao Pecado”, da BWV 199, “Meu coração nada em sangue” ou da BWV 156, “Rei do Céu, sê bem vindo”.

 

É em Weimar que emerge, a partir do organista prodígio, o Músico Ilustrado. Dois eventos de crucial importância pertencem a esse momento.

 

O primeiro é o projeto do Pequeno Livro para Órgão, que deveria cobrir, com seus prelúdios, todo o calendário litúrgico de melodias corais. Ele não representa exatamente uma novidade em termos formais, mas exibe características únicas – a qualidade e a economia formal de suas construções, nunca maiores que duas páginas de partitura.

 

O Pequeno Livro para Órgão une polifonia e comentário teológico, oferecendo sempre uma visão peculiar sobre cada melodia coral. Para usar a expressão de Albert Schweitzer, surge o “músico poeta”, que eleva a construção musical de imagens poéticas a um novo patamar expressivo.

 

Como é do conhecimento geral, o Pequeno Livro para Órgão é um projeto inacabado: apenas 46 peças foram compostas e é possível que algumas delas tenham sido acrescentadas posteriormente. Ficou inconcluso por falta de tempo, certamente, e também porque o projeto de uma música para órgão que misturasse elaboração polifônica e comentário teológico continuaria por toda a sua vida.

 

No Pequeno Livro para Órgão estão, em germe, as linhas consagradas, mais tarde, na Missa para Órgão, nos Dezoito, nos corais Schubler: polifonia a serviço de idéias e emoções.

 

O segundo evento de crucial importância é a descoberta de Vivaldi.

 

Os Duques de Weimar eram soberanos mais globalizados e com recursos suficientes para estar a par das novidades musicais em escala européia. Poucos meses depois da publicação em Amsterdam, o Opus 3 de Vivaldi já estava à disposição da corte ducal e João Sebastião, um hábil violinista ele mesmo, podia tocar as maravilhas de Veneza.

 

O processo de absorção e transformação dos modelos italianos é rápido e intenso. Começa com a transcrição dos concertos para o teclado, passa pelas primeiras experiências de composição ao estilo italiano e chega, ainda em Weimar, às primeiras versões das sonatas e partitas para violino solo.

 

Sob o estímulo da música de Vivaldi, João Sebastião simplesmente deflagra várias correntes criativas, de profundo impacto sobre sua arte e sobre o futuro.

 

Desse ponto de vista, Weimar parecia um paraíso. João Sebastião intensifica sua atuação profissional como consultor na construção e teste de órgãos, começa a firmar reputação como músico para o teclado e encontra no mais novo dos Duques um apoio sólido na corte.

 

Nem tudo, porém, eram flores. Após um novo e breve ápice – a nomeação como Mestre de Concertos em março de 1714 – virão os atritos, a prisão e a transferência para Coethen, uma posição vagamente parecida com uma aposentadoria.